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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Cinco segundos

Quando tinha dezoito anos, a minha melhor amiga desapareceu. Foi um dia completamente normal, só que eu cansei-me de olhar para as estrelas.
Ela acenou-me, lá de longe, na outra ponta do mundo, e eu não notei.
Voltei-me por cinco segundos. Cinco segundos exatos.
Só.
Cinco.
E ela já lá não estava. Acenei para o infinito, sabes? Como se um voltar do pulso a trouxesse de volta. Estava a chover, lembro-me perfeitamente.
Quem diria que demorava tanto a abrir um guarda-chuva.
Esses cinco segundos? Conto-os para sempre.
E agora, já não me cansa olhar as estrelas. Agora perscruto-as, à procura da sombra dela.
Tem que ter uma sombra
Não é?

Alice parou de andar. Voltou-se para mim e sorriu, sorvendo o fumo do cigarro como se zangada com o mundo.

- Foda-se Sam, o que eu dava para ver uma das tuas sombras.

Porque, se calhar, dizia-me onde ela estava.
E eu podia olhá-la por mais cinco segundos.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Saram-me as feridas de sorrisos negros, escondidos por entre vermelhos e cores de infeção. Chovo de mim tudo o que de mal carrego.
Gata Branca, de patas de almofada, em ti pouso a minha cabeça de nuvem negra, ligeiramente mais clara, com toda a falta que me fazias, assim longe de mim sendo eu tu, e tu um pedaço construtor de mim. Voltaste, nas asas de uma borboleta, a nenhuma de nós desconhecida; asas de uma beleza de cortar

a respiração; pausa na tristeza que nos invade a ambas desde
                                                                                                                                 sabe-se lá quando.

Ergo os olhos, durante a noite,  talvez como joaninha vampira, de asas pequeninas em corpo gigante, sede insaciável de ti, príncipe das minhas trevas, sol do dia,
Empurra suavemente as nuvens em mim

                                                                                      pois brilhas
novamente as tuas palavras me arrancam ao torpor de ser eu
                                                                                       bem acima de todos, dentro de um cantinho só teu, feito de espelhos e escadarias, cada qual mais belo do que (costumavam... são estas as visões de enamorada?) vi alguma vez. E bem que abro os olhos, mas encadeia-me o teu brilho.

"You're the one for me, you know that, right?"
Como te explico os vícios nas tuas palavras, o observar distante sempre em direção ao norte... ao meu, não da bússola, invejosa

que arranje o dela,
aponta-me caminhos que nunca foram os corretos
nunca me deu oportunidade de seguir em frente.

Batimentos acelerados diariamente. Todos eles em mim, e penso que
sou tão pequena, para sentimento tão grande. Que bom perder-me em ti, que és
tão maior que eu nesse teu coração gigante.

 Limpam-se crateras, abrem-se braços. Aprende-se a falar uma língua desconhecida, maioritariamente formada por trocas de olhares e o ato de deixar para trás tudo
só te sigo.

 Como explico a histeria do ser, num murmúrio calado que é alegria furiosa
                                                                                                                                                          furacão de estar contigo
dos teus braços?

Lua Nova seja eu, enquanto fores as estrelas da noite.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Entrada

Pela primeira vez, observei o fogo de artifício ao vivo e a cores. Foi uma explosão de sensações no meu pequeno mundo a preto e branco.
Nada me deslumbra mais, ou é mais capaz de arrancar certos desejos das profundezas do meu eu.
Quase escorrem lágrimas dos meus olhos, enquanto sinto o calor da presença da Dó e da sua outra metade, e da Gata Branca. Esta última abraça-me e, juntas, como parte que somos do mesmo ser único, observamos com expectativa o surgir do novo ano. Sinto que os seus desejos são escondidos, voam com o vento fresco das horas da madrugada deste primeiro dia.

Tal e qual os dela, os meus confundem-se na noite e na alvorada, acordados até às tantas da manhã, em silêncio dentro de mim e em conversa com estes três personagens. Uau.

E eu que ainda estava perdida em 2013... Que faço agora, abrindo caminho através de páginas novas de branco imaculado, que não se coadunam com os meus pretos, brancos sujos e cinzentos vividos antes do agora (ai, olha... como me perco este ano no início de algo que não sei experimentar)...


Ainda bem que não estive sozinha.